quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Alegrias da Aila e das crianças

Em Solidão temos lindas dunas, chamadas pelos habitantes locais de Combros de areia. Lembro de quando era criança de subir altos combros de areia e descer rolando. Os olhos sofriam por dias com a areia. Sempre esquecíamos rápido do desconforto que areia trazia aos olhos e no outro dia, a brincadeira continuava. Outra diversão era os atoleiros, conhecida como areia movediça. Minha irmã morria de medo, mas para mim era uma grande aventura, me enterrar naquele bolo fofo. Hoje em dia continuo brincando com meus filhos, to velha e não perco a criancice.








Meus filhos e sobrinhos.




Esse é o bolo fofo. Tem lugares perigosos, pode tapar um adulto em segundos. Muitos animais morrem enterrados nesta areia movediça. Mas as crianças desconhecem o perigo e se divertem. O segredo de não afundar e ficar batendo os pés, a água sobe e a terra fica firme.
Aqui em Solidão se arma um temporal e a energia elétrica falta. Então vem a maneira romântica e primitiva. Café a luz de vela.

Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Revivendo o acampamento de Bujuru


Há muitos anos desistimos de longas viagens no carnaval. Para nós, esse feriado é nosso único período de férias. Todo ano elegíamos um lugar e lá íamos. Era uma loucura contra o tempo, pois é um tempo curto e queríamos fazer tudo, viajar, conhecer lugares lindos e ainda comer as delícias desses paraísos visitados. Conhecemos lugares e pessoas maravilhosas. Até hoje conservamos as amizades feitas nestes período de férias. Mas hoje em dia preferimos o sossego do Farol da Solidão. E têm tantas coisas para se fazer na praia, uma delas é a pescaria, passamos os dias inteiros a beira mar pescando, tomando chimarrão e conversando. No final da noite vamos todos para o CTG encontrar os amigos e dançar até o dia raiar. Quero compartilhar novamente um post feito do último acampamento que deixou muita saudade. Estamos planejando retornar. Mas já fazem dois anos que acampamos e ainda não conseguimos.  
Sempre em nossas andanças, saímos antes de o sol nascer e vamos apreciando a bela paisagem que vai se transformando cada vez mais bela com o amanhecer. 


Depois de um lindo amanhecer, seguimos admirando a natureza selvagem que nos acompanha até nosso destino. 

Acampamentos de aventureiros como nós, se encontra ao longo do caminho. Cada qual com sua criatividade. Esses, fizeram um boa proteção a seus carros, por causa da forte maresia. 
Seguimos. Fomos pela beira mar por 120 km. Encontramos muitos animais mortos. Essa tartaruga foi ferida por alguma rede dos barco pesqueiro, ou ingeriu algum plástico, que as pobrezinhas confundem com algas e comem enganadas.


 BMtábua.
Esse navio acostou por causa das fortes correntes marítimas há muitos anos atrás. Hoje ele descansa e narra muitas histórias do povo daqui. 





Essa é a localidade de Bujuru. Como podem ver as ruas são de areia solta. Se houver um descuido pode-se atolar. Ai a vizinhança corre para ajudar a desatolar o carro e vira uma festa. Os habitantes são muito hospitaleiros e por ser uma região afastada dos grandes centros eles são muito solidários. São amigos para uma vida inteira.
Chegamos ao nosso destinho. Acampamos neste mesmo lugar há muitos anos. Quando viemos pela primeira vez, meu pai e meus irmãos vieram primeiro. Eu e Alfredo e um primo, juntos com nossos filhos ficamos para trás. Nos perdemos. Não conseguimos encontrar o resto do grupo. Anoiteceu. Nós estávamos de caminhão e a estrada era ruim, decidimos pousar no meio do caminho. Uns dormiram na cabine do caminhão, outros na grama em cobertores. Os mosquitos me torturaram a noite toda. Lá pelas tantas, me irritei fui deitar na areia quente. Me enrolei num lençol e puxei areia por cima para fugir dos mosquitos. Aquela areia quentinha foi um bálsamo e logo adormeci. Me acordei num sobressalto com um homem me cutucano, era um pessoal num trator querendo passar na estrada. Na escuridão da noite eu fiz minha cama no meio da estrada. Por sorte as estradas são de areia solta o que impede a alta velocidade. 



Nosso fogo foi mantido com madeira achada ao longo da praia. Passamos um tempo sem luz elétrica e nem água potável. Aqui nesta zona se fizer um buraco com menos de um metro de profundidade já verte água límpida e boa para se consumir. Também não há existência de nada que possa poluir o solo.
Toda nossas aventuras, só são possíveis pela valentia da nossa camionete  FRONTIER NISSAN, uma companheira inseparável que nos leva aos mais remotos destinos.

Alfredo gosta de montar a barraca dentro da caçamba da camionete, porque assim ficamos longe dos bichos e da umidade. Nesses campos aberto tem muitas cobras e sapos. E eu morro de medo de cobra. 
O caniço tem multifunções, serve para pescar o jantar e também faz as vezes de candelabro para iluminar a mesa. Alfredo fez todo acampamento com luz de LED, sustentado por bateria de carro.


Esse era nosso prato preferido no acampamento. Peixe assado com cebola e batata. A receita está aqui.










Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Histórias de Solidão...

Desde que me conheço por gente, me lembro de Solidão. Quando acabava a colheita da cebola em dezembro, passávamos as festas de final de ano  e já nos aprontávamos para ir para praia. Essa preparação levava meses. Minha mãe fazia compotas de doces, chimias e o melhor de tudo o lombinho de porco na banha. Quando carneávamos um porco, era feito a banha e deixava uma sobra no panelão de ferro para fritar o lombinho. Depois de fritar bem, o lombinho era guardado numa lata cheia de banha. Ali se conservava por anos. Nas férias degustávamos dessa iguaria de luxo. O lombinho era fatiado em finas camada e colocado sobre o pão e um pouco da banha. Meu pai comia acompanhado de um copo de vinho. A nós crianças era deixado tomar uma vez no dia, um pouco de vinho misturado com água e açúcar. 
Hoje de malas prontas estamos partindo para Solidão, para passarmos o carnaval. Desejo lhes um ótimo feriado e que Deus proteja a todos. Até a volta.


















Aqui a natureza segue longe da destruição do homem. Na verdade um homem destrói enquanto toda a população sofre as consequências. Os predadores estão cercando nosso litoral e infelizmente estamos a merce desse processo. Por enquanto esse é o paraíso de Alfredo. 


Até a próxima se Deus quiser...

 Anajá Schmitz